Este exemplo abriu também a alguns amigos o caminho para a vida monástica. O
próprio pai de Romualdo fez-se religioso e entrou num Convento. Se bem que
lutasse com muitas dificuldades e mais de uma vez estivesse a ponto de voltar
para o século, a palavra e a oração do filho fizeram com que perseverasse no
serviço de Deus.
Romualdo voltou para o convento de Classis, onde tinha feito o noviciado. Deus
permitiu que fosse provado pelas mais fortes tentações contra a virtude da
pureza, contra a vida religiosa e contra a fé. Parecia-lhe quase impossível
continuar na vocação. O remédio e a salvação em tão duro transe foi a oração. No
meio da sua atribuição se dirigiu a Jesus Cristo, e com a alma angustiada,
perguntou ao Salvador: “Jesus, por que me abandonastes? Entregaste-me
inteiramente ao poder do inimigo?”
Como o Patriarca Jacó, viu ele em sonho uma misteriosa escada, que se apoiava na
terra e cuja extremidade tocava no céu. Religiosos de hábito branco subiam e
desciam por ela.
A
grande obra para a qual Deus tinha chamado seu servo e que este, apesar de
muitas dificuldades interiores, e exteriores, com ótimo resultado realizou, foi
a reforma da disciplina monástica. O convento mais célebre fundado por Romualdo
foi o de Camaldoli, em Toscana, que deu à Ordem toda o nome de Ordem dos
Camaldulenses. Extraordinário era em Romualdo o espírito de penitência,
sendo-lhe a vida um constante jejum, uma mortificação ininterrupta. “Como me
confunde a vida dos Santos! Contemplando-a, queria morrer de vergonha”, ouviu-se
o Santo muitas vezes dizer. Já no fim da vida, disse a um religioso de sua
confiança: “Vai para vinte anos, que estou me preparando para a morte; quanto
mais faço, tanto mais me convenço de que não sou digno de comparecer na presença
de Deus”. Romualdo morreu em 1027. O túmulo tornou-se-lhe glorioso, pela
multidão de milagres, que Deus obrou pela intercessão do Santo. Quando, cinco
anos depois do seu trânsito, abriram o túmulo de Romualdo, o corpo foi
encontrado intacto, sem sinal algum de decomposição. O mesmo espetáculo se
repetiu 440 anos depois. Romualdo foi canonizado por Clemente VIII, em 1569.
Reflexões:
A santa
vida de Romualdo deve lembrar-te de alguns pontos de grande alcance para a vida
religiosa, pontos dignos de consideração e imitação:
-
São Romualdo fez penitência pelos pecados cometidos na mocidade. Quando começarás a penitenciar-te, pelo tempo que passastes talvez em pecados graves e feios vícios?
-
A lembrança das vaidades a que se entregou na mocidade, causava amargura e tristeza a São Romualdo, enquanto da penitência e mortificação colhia a mais pura alegria e consolação. Os prazeres do mundo não trazem paz e contentamento à alma. O mais forte consolo que poderemos experimentar na hora da morte, será a lembrança dos anos que passamos no serviço de Deus.
-
Durante vinte anos São Romualdo se preparou para uma morte santa, sempre com medo de perder esta graça, de todas a maior. Não receias a morte e para ela não te preparas? Não sabes que dela depende a eternidade toda e que não pode ser boa uma morte que não teve preparação alguma?
-
São Romualdo fazia mortificações nas refeições, não tocando em comidas que lhe apeteciam, dando-as depois aos pobres.
Não podias imitá-lo
nesta prática de penitência e caridade? Mortificações desta
natureza são agradáveis a Deus e atraem a sua benção.
* * * * * * * * *


Nenhum comentário:
Postar um comentário