São Cosme e São Damião
Os irmãos não cobravam absolutamente nada pelos tratamentos, mas tudo faziam com caridade e dedicação. A fama de Cosme e Damião despertou a ira do imperador Diocleciano, implacável perseguidor do povo cristão. O governador deu ordens imediatas para que os dois médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas.
Mandou que fossem barbaramente torturados por se negarem a aceitar os deuses pagãos. E em seguida, foram decapitados. O ano não pode ser confirmado, mas com certeza foi no século IV. Os Santos Cosme e Damião são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de medicina.
Reflexão:
Entre meados de setembro e outubro ocorrem as Festas de Cosme e Damião. De forma mais sincrética, envolve católicos, outras confissões religiosas e cidadãos sem identidade confessional, de todas as classes sociais. É a festa das crianças, sempre com distribuição de balas, brinquedos, doces e guloseimas em geral. A distribuição é feita no interior nas portas dos templos, de passagem pelas ruas, nas residências, em salões de festas dos prédios, em orfanatos e creches.
Oração:
Deus Pai de amor e bondade, pela intercessão de São Cosme e São Damião, conserve meu coração simples e sincero. Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranquila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR
São Cipriano, cognominado o feiticeiro, natural de Antióquia, na Fenícia, foi
pelos pais introduzido em todos os segredos da superstição, astrologia e
feitiçaria. Para ampliar os conhecimentos na arte mágica, fez grandes viagens e
visitou os centros principais do mundo, como Atenas, Menfis, Argos e a Índia.
Mestre em todas as artes diabólicas da feitiçaria, entregou-se a uma vida
desbravada. Para a religião cristã, havia só insultos; crianças inocentes eram
as suas vítimas prediletas; tendo-as enforcado, oferecia o sangue das mesmas
como holocausto ao demônio, e nas entranhas ainda palpitantes procurava conhecer
os segredos do futuro. Perseguição atroz fazia às donzelas, aproveitando-se de
enredos diabólicos para demovê-las do caminho da virtude. Malogravam, porém,
estes artifícios diante das jovens cristãs.
Uma delas era Justina, que morava em Antióquia, cristã fervorosa, porém, filha
de pais pagãos. Formosa de corpo e de espírito, pelo seu exemplo fez com que
toda a família se convertesse ao cristianismo. Agládio, jovem pagão, ardia em
paixão pela jovem cristã. Não podendo, porém, cativar-lhe a afeição, recorreu
aos artifícios mágicos de Cipriano. Justina experimentou em si os acessos
diabólicos, os quais conseguiu debelar pela oração e pelo sinal da cruz.
Vendo-se tão rudemente assaltada pelas tentações mais horríveis, a virgem
recomendou-se freqüentemente à Rainha das Virgens e saiu vitoriosa das insídias
do inimigo. O fracasso de seus estratagemas mais poderosos, fez Cipriano
duvidar do poder dos demônios, tanto que tomou a resolução de livrar-se deles.
Lutas terríveis foram as conseqüencias desta mudança; pois o demônio não ia
privar-se de um instrumento para ele utilíssimo, como era Cipriano. Apoderou-se
do espírito deste uma profunda tristeza e a lembrança dos feitos passados
levou-o quase ao desespero. Deus mandou-lhe alívio pelo sacerdote Eusébio. As
orações e as palavras confortadoras deste santo homem, fizeram com que Cipriano
não desfalecesse no meio do caminho. Grande foi a surpresa dos fiéis, quando
viram o grande e terrível feiticeiro num Domingo entrar na igreja, conduzido por
Eusébio. O próprio bispo não quis acreditar no que via e pôs-se a duvidar da
sinceridade desta conversão. Cipriano, porém, trouxe todos os livros
cabalísticos e entregou-os ao fogo, Na presença de todo o povo, e distribuiu a
sua fortuna entre
os pobres.
À vista desta mudança radical, o bispo consentiu que Cipriano fosse batizado.
Junto com ele, Agládio recebeu o sacramento do Batismo. Justina, vendo as
maravilhas da divina graça, cortou a sua linda cabeleira e pelo voto de
virgindade perpétua, dedicou-se ao serviço
de Deus.
A conversão de Cipriano foi sincera e constante. Os escândalos da vida
passada, reparou-os pela conduta exemplar e pela prática das mais belas
virtudes. A dedicação à causa de Deus mereceu-lhe a dignidade de sacerdote e
mais tarde de bispo. Veio a perseguição diocleciana. Cipriano foi Levado a
Tiro, onde sofre atrozmente. Também Justina, acusada de cristã, foi apresentada
ao governador da Fenícia, que a submeter à flagelação crudelíssima.
Transportados para Nicomédia, onde se achava Diocleciano, pelo próprio
imperador foram sentenciados à morte pela decapitação. A sentença foi executada
em 304. As relíquias dos dois Mártires foram trasladadas para Roma, onde
Rufina, cristã fervorosa da família dos Cláudios, erigiu uma igreja sob a
invocação de Cipriano e Justina. Hoje, os corpos destes dois grandes mártires,
descansam na igreja de São João de Latrão, em Roma.
NOTA - Se São Cipriano
detestou suas próprias obras de feitiçaria e queimou-as publicamente, com que direito
se servem ainda hoje, muitos cristãos, do livro de São Cipriano, para fins
supersticiosos e diabólicos? Além de ser mais do que duvidoso que este livro
seja da lavra de São Cipriano, é uma obra perniciosa, cuja leitura é
proibida.
REFLEXÕES
Cipriano e Agládio converteram-se
ao cristianismo e chegaram a um alto grau de santidade, devido à resistência
firme e resoluta que encontraram em Santa Justina. Cipriano, em sinal de
sinceridade de sua conversão, atirou ao fogo com os livros ímpios que possuía, e
os instrumentos ded que se servia, nas práticas da feitiçaria. Que belo exemplo
deu a todos! A conversão de feiticeiros e impuros é um milagre extraordinário
da Graça divina, que vemos operado em Cipriano e Agládio que, resolutamente
comperam com o pecado, para servir a Deus e santificar a alma. Graça igual
terão todos os escravos do vício da impureza, se de coração e com sinceridade
procurarem remover o obstáculo da união com Deus. A conversão da vida impura a
uma vida santa, exige o afastamento de tudo o que contraria a virtude angélica,
como sejam maus livros, revistas imorais, websites escandalosos, certas
liberdades incovenientes entre pessoas do sexo oposto e outras ações
cmprometedoras à salvação da alma. Se Santa Justina não tivesse rejeitado as
insinuações pecaminosas, Cipriano e Agládio não teriam se convertido. Se
tivesse dado consentimento à tentação, os três que agora ornam os santos
altares, talvez sofressem pena eternas, cobrindo-se de maldições mutuamente.
Pela firmeza, porém, mereceu a si própria a graça da perseverança e a conversão
para os dois jovens. O exemplo de Santa Justina ensna-nos que as armas contra o
espírito impuro são: a fuga da ocasião, a vigilância, a oração, a devoção à
Santíssima Virgem e a recepção dos santos Sacramentos.
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* Referências: - Na
luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz
de Fora - Minas Gerais, 1959.

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